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Atendimento a animais silvestres em Assis passa por reestruturação e deixa de ser realizado pela APASS


Aguinaldo e Natália são responsáveis pela APASS  Foto: Stephanie Fonseca/g1
Aguinaldo e Natália são responsáveis pela APASS Foto: Stephanie Fonseca/g1

Uma mudança administrativa vai alterar o destino de animais silvestres resgatados em Assis (SP). A partir deste ano, os bichos feridos ou encontrados em situação de risco não serão mais encaminhados à Associação Protetora de Animais Silvestres (APASS), instituição reconhecida pelo trabalho de reabilitação da fauna ao longo de duas décadas. O atendimento passará a ser concentrado em Botucatu (SP), na região da Cuesta.

A decisão ocorre após a formalização de um novo contrato entre o Consórcio Intermunicipal do Vale do Paranapanema (Civap) e a Fundação de Apoio aos Hospitais Veterinários da Unesp (Funvet), que administra estruturas especializadas ligadas à universidade estadual.

Com a mudança, Assis passa a integrar um modelo regionalizado de atendimento à fauna silvestre. Segundo a Prefeitura, os animais resgatados poderão ser levados até Botucatu por diferentes agentes, como a Polícia Militar Ambiental, concessionárias responsáveis por rodovias ou pelo próprio município consorciado, desde que o transporte seja feito em veículo adequado e, quando necessário, com acompanhamento veterinário.

Ainda de acordo com a administração municipal, caberá ao município realizar a avaliação inicial do estado de saúde do animal. Em casos considerados graves, o protocolo prevê atendimento emergencial e estabilização clínica antes do deslocamento ao centro especializado, onde será definida a possibilidade de tratamento e eventual reintrodução na natureza. Os animais que já estão sob cuidados da APASS permanecerão na instituição.



Duas décadas dedicadas à fauna


Localizada em Assis, a APASS atua como Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras) e se tornou referência no interior paulista. Em 20 anos de atividades, a associação atendeu mais de 25 mil animais de diferentes espécies, incluindo aves, répteis e mamíferos.

Entre os animais acolhidos estão espécies como onça-parda, tucano-de-bico-verde, tamanduá-bandeira e anta. Segundo o fundador e presidente da entidade, Aguinaldo Marinho de Godoy, a instituição recebe anualmente entre 1.200 e 1.300 animais, vindos principalmente do Pontal do Paranapanema, região que abriga o maior remanescente de Mata Atlântica do interior do estado.

O trabalho desenvolvido pela APASS envolve desde a triagem inicial e avaliação de riscos até processos longos de reabilitação, sempre com o objetivo final de devolução do animal ao seu habitat natural.

“Quando um animal passa meses ou até anos em tratamento e finalmente pode voltar para a natureza, é como uma alta hospitalar. É a confirmação de que todo o esforço valeu a pena”, afirma Godoy.



Alerta sobre crimes ambientais


A entidade também reforça a importância da conscientização da população. Manter animais silvestres sem autorização é crime ambiental e, além disso, o manejo inadequado pode provocar maus-tratos e expor pessoas a doenças como leptospirose e psitacose.

“O animal silvestre precisa viver livre. Se é necessário cortar penas ou impedir que ele fuja, é porque aquele não é o lugar dele”, ressalta o presidente da associação.

A orientação é clara: quem deseja adotar um animal deve optar por cães ou gatos. A posse de animais silvestres, além de ilegal, compromete o bem-estar da fauna. Casos de comércio ilegal, maus-tratos ou criação irregular podem ser denunciados à Linha Verde do Ibama (0800-061-8080), à Polícia Militar Ambiental, às delegacias ou pelo telefone de emergência 190.

Fonte: g1

 
 
 

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